Cinco queijos especiais
ROQUEFORT
Roquefort é o nome de uma variedade de queijo, originalmente francês, produzido com leite de ovelhas.
Esta variedade apresenta massa de consistência cremosa e esfarelada, com casca úmida e sabor acentuado e picante.
No seu fabrico, assim como no das variedades Gorgonzola e Camembert, são injetados fungos (bolores) na massa, neste caso os do tipo Penicillium, que passa, a seguir, por um processo de maturação de três meses.
São estes fungos que desenvolvem no Roquefort a aparência característica com veios verde-azulados, que lhe dão o sabor especial.
O gorgonzola é uma variedade de queijo azul fabricado com leite de vaca ou cabra, originário da localidade de Gorgonzola, nos arredores de Milão, na Itália.
A sua massa é cremosa, tem um sabor agradável e um aroma relativamente intenso.
Neste queijo, assim como em todos os queijos azuis, no processo de maturação, são injetados fungos, que fazem com que tenha veias verde-azuladas e que lhe dão um sabor especial. Neste caso, injeta-se o Penicillium.
Na fabricação industrial atualmente usa-se o processo HTST ("High Temperature Short Time") para pasteurizá-lo. Outro método de pasteurizaçãoé o ejetor de vapor.
Valores nutricionais
(valores médios por 100 g.)
- Energia 330 kcal/KJ 1375
- Proteína 19 gr.
- Carboidratos 0,1 gr
- Lipídios 26 gr.
- Fósforo 360 mg.
- Cálcio 420 mg.
- Vitaminas A, B1, B2, B6,B7,B8,B9,B10, B12, PP.
BRIE
De origem francesa, o queijo Brie é fabricado no Brasil, com a mesma tecnologia do queijo Camembert, ficando as diferenças mais por conta do formato do que das propriedades organolépticas.
É um queijo de massa macia e quebradiça, maturado externamente por fungos do gênero Penicillium , que lhe confere sua característica casca branca ou acinzentada, aveludada. Por isso também é conhecido como queijo de mofo branco.
Em geral, produzidos em processos manuais, a partir de pequenas quantidades de leite, apresentam-se normalmente em forma de triângulos elaborados a partir de formas cilíndricas.
CAMEMBERT
Camembert
é o nome de uma variedade de queijo, de pasta mole,
originalmente da região da Normandia, no Noroeste
da França. Tem alguma semelhança com o Brie,
do qual deriva.
História
Afirma-se que, à
época da Revolução Francesa,
um certo dia, a família de Marie Harel,
que habitava na Normandia, deu abrigo a um padre que
estava sendo perseguido. Esse religioso vinha da região de Brie e,
como forma de agradecimento aos seus anfitriões pela acolhida e proteção,
transmitiu-lhes todo o seu conhecimento sobre a fabricação de queijos.
Surgiu dessa
forma, através de uma adaptação da técnica da fabricação do brie,
uma nova variedade de queijo, feita da massa mole que não era cozida e nem
espremida. Essa nova variedade era mais macia, com um aroma mais delicado e um
sabor agradável, levemente terroso.
Com a inauguração
da estrada de ferro para Paris,
em 1855, essa variedade de queijo ultrapassou as
fronteiras da Normandia, alcançando a mesa das monarquias européias e, delas, a
de consumidores de todo o mundo.
Outras histórias
retratam o queijo camembert como personagem direto na
revolução francesa, posto que os fabricantes, geralmente nobres, foram
perseguidos e os jacobinos tratavam o queijo como uma iguaria clandestina. A
fabricação, então, foi reduzida a poucos pontos da região de Brie, aumentando
sua fama e requintando seu sabor.
Descrição
Queijo de pasta
mole, produzido com leite de vaca,
apresenta-se com uma fina crosta de bolor penicillium branco, que se torna
impregnada de pigmentos vermelhos,
castanhos e amarelos à medida que matura.
O queijo jovem,
com cerca de 30 dias de fabricação, apresenta um sabor suave, ligeiramente
acidulado, com um "coração" (centro da massa) de textura pouco firme,
que se modifica à medida que se aproxima da crosta.
Passados cerca de
45 dias de fabricado, o queijo alcança uma maturidade e uma personalidade, com
sabor e aroma mais pronunciados, adquirindo uma textura fina e fundente.
Forma de degustação
Para a adequada
degustação deste queijo, deve-se retirá-lo da geladeira com antecedência de uma
hora. Adquirida a temperatura ambiente, deve ser cortado ao meio e, em seguida,
ser fatiado, sempre do centro para a extremidade. Obtém-se, deste modo, um equilíbrio
ideal entre crosta e massa em cada fatia.
Para acompanhá-lo
sugerem-se vinhos tintos leves, pouco tânicos (ex.: Côte du
Rhône), ou mais frutados (ex.: Bordeaux ou Beaujolais).
STILTON
O Stilton é um queijo azul originário da Inglaterra, especialmente dos condados de Derbyshire, Leicestershire e Nottinghamshire.
De cor azulada, é feito com leite de vaca, ao qual se adiciona o fungo Penicillium glauco, e usualmente harmonizado com vinho do porto.
HISTORIA DO QUEIJO ROQUEFORT
Roquefort: queijo simbólico da culinária francesa
Originário da Gália romana, o Roquefort foi se aprimorando através dos séculos, transformando-senum dos exemplos mais típicos
de um requintado bom gosto no comer
de um requintado bom gosto no comer
Nelson Ribeiro Fragelli
Enviado especial
França
Enviado especial
França
Paris –– Com a história do célebre queijo Roquefort pretendo narrar o que o espírito francês chama, de modo cavalheiresco, a aventura do Roquefort.
Foi casualmente que, numa viagem ao Sul da França, hospedei-me ao lado de antigaCommanderie -- caserna de uma Ordem medieval -- na árida região do Larzac. Trata-se daCommanderie de Santa Eulália : muralhas, torres, e uma igreja, recolhida e sóbria, como a vida dos religiosos cavaleiros daquela época.
A região é pontilhada de Commanderies: a poucos quilômetros está a de La Cavalerie. Mais além a de La Couvertoirade, primor de cidadela medieval.
A epopéia do Roquefort
Nas cercanias, incrustada na rocha, encontra-se a pequena cidade de Roquefort-sur-Soulzon. Tive a curiosidade atraída por ela.
O famoso queijo Roquefort que ali se faz é o resultado de uma feliz conjugação entre as ovelhas do Larzac, as ervas que só vicejam naqueles campos e um acidente geológico ocorrido antes de Cristo, no enorme rochedo de Combalou.
Outrora majestoso, o Combalou, lentamente erodido por olhos d'água, um dia ruiu fragorosamente. Imensos blocos, caindo uns sobre os outros, formaram grutas, algumas enormes. Quando o vento bate nas ruínas do Combalou e penetra pelos vãos das pedras, atinge as grutas muito úmidas, favorecendo assim o aparecimento de uma flora, desconhecida na aridez do Larzac.
Certo dia, nos remotos tempos da dominação romana, um pastor, fatigado da ordenha, castigado pelo sol, recolheu-se em uma das grutas do Combalou. A atmosfera era fresca, corria ali um pouco d'água. Numa pedra depositou seu balde de leite e sobre outra apoiou-se preguiçosamente.
Repousado, resolveu explorar um labirinto - um daqueles vãos por onde corre ar. Surpreso, encontrou outras grutas, muito maiores, de um odor e de um frescor arrebatadores. E nelas se perdeu. Não soube reencontrar seu balde, o que não o incomodou tanto, pois sua descoberta bem valia o leite perdido. Não foi difícil encontrar outra saída para casa.
Dias depois encontrou seu leite. Evidentemente estava coalhado. Mas, sobre ele o vento dos túneis depositara folículos e polens retirados àquela flora rústica. O conjunto fermentara e o produto era um queijo de agradável sabor, até então desconhecido. Provado, ele fez saltar de contentamento as papilas inadvertidas do nosso pastor.
Tinha nascido o Roquefort. As grutas pouco a pouco se transformaram em centros de produção da nova descoberta.
Pelo Larzac, uma encruzilhada de caminhos Norte-Sul, na então Gália, passavam mercadorias destinadas ao poderoso Império Romano. Essa rota comercial favoreceu a expansão do novo queijo. Gregos e ibéricos o importavam. Plinio o Velho faz menção, em sua História Natural, de um queijo do Larzac que chegava a Roma pelo porto de sstia. Os primeiros séculos do cristianismo assinalam, na mesma região, um queijo "produzido em abundância, que sacia camponeses, encontrando-se também à mesa requintada de senhores". Tudo leva a crer que fosse o Roquefort.
Carlos Magno, grande civilizador de povos, desejava que os conventos por ele fundados em toda a Europa dessem, não só santos e educadores, mas também administradores e agrônomos.Cada mosteiro era antes de tudo um lugar de oração, mas também um centro civilizador, intelectual e agrícola. Assim é que atualmente cerca de 40% das cidades francesas são de origem monástica.
Segundo uma tradição cara ao Roquefort, o Imperador Carlos recebia todos os anos, no Natal, em seu palácio de Aix-la-Chapelle, um carregamento de queijo portado em lombo de mula.
Ordens monásticas e militares, cistercienses, cavaleiros de Malta, o Templo em particular, ali estabelecidas para defesa da região contra os assaltos muçulmanos, reconheceram o alto valor do Roquefort. Aprimoraram técnicas de utilização do solo e trato de ovelhas, sistematizaram a produção.



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